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Uma breve história da ASEC

Por: Agamenon Oliveira
Obs: Esta matéria foi escrita originalmente para o aniversário de 10 anos da ASEC e está sendo usada como base para uma atualização.

Como ex-presidente da ASEC, e tendo ocupado durante três vezes a presidência da entidade, o que para mim é motivo de muito orgulho, ao ser convidado pela atual diretoria (1994) para escrever o editorial para o novo site desta associação, tento me desincumbir desta tarefa, fazendo um pequeno balanço político da atuação da ASEC nos últimos vinte anos.

Nossa entidade e outras similares, representativas dos empregados de empresas estatais, como é o caso da AEEL (Eletrobrás) e ASEF (Furnas), entre outras, surgiram no final do regime militar (83/84) e, naquela época, a sua criação significava uma resposta da sociedade civil ao ciclo de ferro imposto ao País pelos anos de ditadura, onde só se ouvia a voz das casernas e o rumor das botas. Pela primeira vez, a sociedade, em vários dos seus segmentos se mobilizava e queria ser ouvida. A maior demonstração disto foram as grandes mobilizações e os comícios pelas eleições diretas, no ano de 1984, que no final foi miseravelmente traído por um acórdão, uma "pizza" monumental montada nos bastidores pelos caciques políticos da época que viam cada um a sua maneira como se dar bem com o fim do ciclo dos militares no poder.

Nascendo sob o signo da insatisfação com o regime político que nos sufocava, e tendo a liberdade conquistada nas ruas como grande fonte de inspiração, surgia assim mais uma forma importante de organização dos trabalhadores. Poucos meses após o seu nascimento engrossávamos o movimento pelas "Diretas já", que empolgou o País inteiro e cujos ecos ainda hoje se fazem se ouvir.

Filha dileta do lampejo de democracia que ameaçava tomar conta do País e que encomendou o funeral do ciclo dos Generais - Presidentes, a atuação da ASEC, nos anos que se seguiram, foi fruto daquela conjuntura original e da perspectiva e visão política de seus dirigentes e associados, face ao ambiente que imperava no País e nas empresas estatais no começo dos anos 80. Do núcleo original que fundou a ASEC, faziam parte: Jerson Kelman, Bruno e Vera Regina, Chester Fernandes, João Marcos Alcoforado, Damazio, Pedro Mota, entre outros. Tivemos uma primeira diretoria provisória com o João Marcos como presidente e em seguida o Chester foi eleito nosso primeiro presidente. É importante também ressaltar o papel do Sindicato dos Engenheiros estimulando e apoiando todas as iniciativas dessas novas organizações.

Dessa maneira, desde os seus primeiros passos, a ASEC sempre orientou a sua ação, tanto na defesa dos interesses gerais de seus associados, como também na defesa do Cepel enquanto instituição e teve uma atuação marcadamente sindical nos primeiros anos. Entre as suas maiores conquistas está a criação de um fórum de debates e de permanente questionamento das decisões políticas, fossem as governamentais ou aquelas que se davam em nível gerencial da empresa. Era uma espécie de fórum dos pesquisadores? ampliado. Se olharmos sob esse aspecto e em retrospecto salta aos olhos como involuimos politicamente mesmo estando em um governo que se diz de esquerda. Destacamos ainda o apoio logístico e político aos Sindicatos que atuavam na empresa, o que num determinado período catalisou uma série de ações extremamente importantes para o corpo de empregados, como também serviu para aumentar o nível de participação destes, no processo de tomada de decisões na empresa.

Fruto dessa situação foram as comissões para elaboração de um PCS (Plano de Cargos e Salários) de forma paritária e outras congêneres para estabelecer critérios para concessão de mérito, condução de um planejamento estratégico bastante participativo, efetivação de contratados, etc.

Se tivéssemos que resumir a importância e a luta maior da ASEC desde os tempos áureos, uma espécie de "belle "poque" perdida no tempo, diríamos que éramos profundamente movidos pelo desejo de que fossem estabelecidos direitos iguais para todos, ou seja, que fosse abolido o que na época chamávamos de "estrutura feudal", o que significava que as normas e regulamentos da empresa eram aplicados de forma diferenciada, dependendo do poder real de quem o aplicava e a quem os mesmos se destinavam. Aquilo que hoje definimos pela máxima: ?aos amigos tudo aos inimigos a lei?. Infelizmente esta ainda é uma prática corrente no CEPEL. Quem tiver dúvida que avalie a última concessão de mérito.

A culpa dessa involução tanto da empresa como também da ASEC não se deve a um afastamento da entidade de seus objetivos iniciais pura e simplesmente provocado por alguém mal intencionado. Essas coisas acontecem de forma combinada. Também a terceirização e outras formas de trabalho precário nos fracionou, dividiu nossas forças e nossos ideais ao mesmo tempo em que tornaram os sindicatos desatualizados e sem instrumentos eficazes de mobilização de todos os empregados.

Os tempos mudaram, o projeto neoliberal tornou a vida mais difícil e as pessoas passaram a defender apenas seus interesses imediatos sem entender que muitos deles requerem uma ação coletiva. No plano político mais geral o Partido dos Trabalhadores, o PT, ao qual me filiei desde sua criação e ao qual ainda continuo filiado, burocratizou-se, tornou-se excessivamente autoritório com aqueles que divergiam do grupo dirigente e sua cúpula entregou-se ao mais vil e deslavado processo de corrupção. Em aproximadamente dez anos, esta importante força política criada para combater as formas tradicionais de se fazer política foi domesticada pelo capital financeiro internacional e nacional associado, desencaminhou-se de seus objetivos centrais e tem um futuro incerto. Quando LULA chegou ao poder o núcleo que o acompanhou já tinha há muito aderido a forma de fazer política dos partidos de direita como o PFL e o PSDB. Política para eles é participar de eleições o que além de uma simplificação grosseira é um profundo rebaixamento dos objetivos políticos de qualquer partido de esquerda.


Tudo isso influiu de forma decisiva tanto na conjuntura atual como nas entidades e outros partidos políticos realimentando o próprio processo de degeneração do PT. Por último gostaria de ressaltar o processo darwiniano de ocupação de cargos nas empresas estatais. Como assistimos, em todas as empresas com diferenças pouco sensíveis, foi um corre-corre semelhante a dança das cadeiras para o preenchimento de cargos de direção, assessorias, etc. Como não havia nenhum critério (a não ser o apadrinhamento político) para escolha de dirigentes dessas empresas, muitos oportunistas, arrivistas de ocasião e pessoas sem nenhuma qualificação para esses cargos passaram a ocupá-los. Esta foi a melhor situação, pois a pior foi a montagem de quadrilhas para subtrair o dinheiro público rumo a direç as mais diversas, desde o próprio bolso até os fundos de campanha. O resultado todos nós conhecemos. Nunca as direções das empresas estatais foram tão incompetentes e desqualificadas. Evidentemente, existem as exceções para justificar a regra.

Essas são algumas das reflexões que gostaria de expressar publicamente a todos os empregados do CEPEL na qualidade de pesquisador e dirigente sindical.
Rio, 24 de Novembro de 2005.


Agamenon R. E. Oliveira
ASEC - Associação dos Empregados do CEPEL
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